23 de junho de 2012

Compromisso zero

A última deveria indicar o caminho para o futuro que queremos. Mas nem chegou perto da realidade.

“Nós cobramos compromissos e ações urgentes. Eles nos entregaram omissão e inércia. Deram as costas para os problemas do mundo e principalmente das populações mais vulneráveis”, afirma Marcelo Furtado. “Nossos líderes se mostraram menores do que os problemas que temos de enfrentar.”

O documento da Rio+20 é desprovido de ambição, metas e datas. É o típico texto que todo governo exalta, pois não exige nenhum compromisso. Qualquer habitante do planeta que leia esse texto e busque ali uma esperança para um futuro mais verde e mais justo se frustrará entre tantas palavras dúbias e vazias.

O governo brasileiro, que liderou as negociações, mostrou sua verdadeira face para o mundo ao comemorar que fechou um texto – mesmo sem conteúdo. E Dilma Rousseff ainda destacou, como grande realização, evitar um retrocesso em relação à ECO-92. No momento em que o planeta se encontra, com recursos naturais consumidos num ritmo mais alto do que permite sua recuperação, com crise de empregos sustentáveis para jovens e mais desigual, a fala da presidente é no mínimo uma disfunção cognitiva.

Mais de 190 países mandaram representantes para o Rio para buscar soluções para problemas ambientais e sociais, não para exaltarem as belezas da cidade – como muitos fizeram em suas falas na conferência. E, depois de usarem o palco montado pelo Brasil, voltam para seus países com um sorriso no rosto, enquanto suas populações continuam sem comida, sem justiça e sem um ambiente saudável para viverem.

17 de junho de 2012

Amazônia entregue de bandeja na Rio+20

No dia seguinte à divulgação do documento base das negociações na Conferência Rio+20, onde o tema da proteção florestal foi novamente esvaziado,  podemos afirmar com propriedade que “o que (não) se propõe para as florestas, na redação atual, é uma vergonha”. Retirando do texto trechos que abordavam a necessidade de redução do desmatamento, o governo brasileiro se mostra coerente com a linha de atuação que vem seguindo, inclusive durante todo o debate – e o desmantelamento – do Código Florestal no Congresso.

Apenas algumas semanas atrás, a presidente Dilma entregou a Amazônia de bandeja ao agronegócio que financia o desmatamento, ao concordar com partes substanciais do novo Código Florestal ruralista. Para o órgãos de preservação do meio ambiente, organizações da sociedade civil e mais de 80% dos cidadãos brasileiros, o novo Código é uma tragédia, e vai fatalmente comprometer os recentes avanços na redução do desmatamento brasileiro. Na Rio+20, pelo visto, não será diferente.

“O que o mundo precisa – um acordo entre os chefes de Estado para acabar com o desmatamento global até 2020 – não está sequer na mesa de debates. Ouvindo as negociações durante as discussões preparatórias temos a impressão de que ou está tudo bem com o meio ambiente no mundo, ou a situação é tão desesperadora que os governos estão simplesmente à mercê das grandes empresas que desmatam e se beneficiam da destruição da floresta”, diz artigo publicado no último dia 17, por Renata Camargo (do Greenpeace).

Há vinte anos, no Rio, os governos não conseguiram realizar uma convenção de florestas. Desde então, o processo da ONU sobre o tema florestal não conseguiu avançar e, na Comissão Preparatória da Rio+20, mesmo o presidente do “grupo dissidente” não ficou impressionado. Ele observou na última quinta-feira que apenas três parágrafos sobre florestas seria “embaraçoso” como resultado.

“O número de parágrafos não é um grande problema, mas estamos de acordo que o texto da Rio+20 sobre florestas é vergonhoso. A única taxa tolerável de desmatamento é zero. O Brasil deve decidir se quer ser conhecido como a nação líder no caminho para a prosperidade sustentável e o desmatamento zero, ou como uma nação que mostrou que o desmatamento pode ser interrompido, mas não conseguiu fazê-lo simplesmente para atender interesses de um único sector focado no lucro a curto prazo”, afirma.

Em contraponto à falta de iniciativa do governo brasileiro para proteger essa riqueza natural, maior patrimônio do país, organizações da sociedade civil no Brasil lançaram em parceria uma lei de iniciativa popular para forçar o Congresso Nacional a discutir uma lei de desmatamento zero. O Movimento dos Sem Terra (MST), a Igreja Católica e o alguns órgãos de preservação do meio ambiente estão recolhendo assinaturas para a iniciativa na Cúpula dos Povos. Mais de 330 mil pessoas já se juntaram à campanha.

16 de junho de 2012

Desmatamento Zero. Futuro do Brasil.


A campanha de proteção as florestas trabalha para que o Brasil alcance o Desmatamento Zero.
Queremos um futuro mais verde e limpo. Ajude-nos a salvar nossas florestas.

 
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