25 de maio de 2012

Código Florestal: mais um capítulo infeliz


A presidente Dilma Rousseff colocou três ministros em um tablado para falar que retalhou o texto que saiu da Câmara a fim de recuperar o projeto de lei que havia saído do Senado. Como o que os senadores produziram era ruim para as florestas e o governo não mostrou na coletiva com que retalhos pretende costurar no texto, o Brasil continua desconhecendo como fica o futuro de suas matas.

Ao que parece, o resultado se aproxima de um Frankenstein, que ainda depende de uma medida provisória – também desconhecida – para preencher um vácuo jurídico provocado pelo corta-e-cola. Não foi o que o povo pediu.

Dilma precisava vetar o texto e iniciar um novo processo, começando por eliminar o desmatamento e com base técnica e social desde o início. “Dilma falhou com o povo brasileiro.”

Desde que o processo começou, há dois anos e meio, a presidente ignorou os avisos de diversos setores da sociedade, de que uma lei tão importante não pode ser reescrita sem a participação de todos. Ela aceitou que um dos maiores tesouros do país – a floresta e a decisão constitucional de protegê-la pelo bem comum e futuro – fosse destruída pelo interesse de apenas um setor da sociedade.

Tanto é que, apenas quando o texto saiu no Congresso, o governo foi ver exatamente quantos seriam beneficiados pelo projeto de lei. Quanta surpresa: percebeu que 81% das propriedades são pequenas, e que elas ocupam apenas 16% da área agrícola do país – e que, portanto, o código escrito no Congresso falhava em proteger os pequenos produtores, pois fora escrito para proteger os grandes. Como se todos não soubessem disso.

Nesses quase 18 meses de Presidência, essa não foi a única omissão nem pecado ambiental de Dilma. Seu governo não criou, até agora, um palmo sequer de unidades de conservação. Mas diminuiu o tamanho de várias, sobretudo na Amazônia, para plantar nelas grandes hidrelétricas e projetos de mineração. Dilma solapou poderes do Ibama, órgão que fiscaliza crimes ambientais, e ainda permitiu o ataque da bancada ruralista a terras indígenas.

“A decisão de não exercer o veto total é sinal de que ela aceitou o tratoraço ruralista”, diz Astrini. “Há doze anos, o Congresso tenta modificar o Código Florestal. Dessa vez, encontrou um campo livre para atuar, sem resistência da pessoa que senta na cadeira mais importante do país. Não é o que se espera de um presidente.”


Agora, na véspera da Rio+20, o governo faz da principal lei ambiental uma colcha de retalhos, e tenta desesperadamente vender a decisão como o melhor texto que se poderia obter para o Brasil. Apresenta uma tabela de APPs (áreas de proteção permanente) como grande feito – mas não expõe um plano para conservar a floresta. E recusa-se a mostrar o texto para passar pelo escrutínio da sociedade. “É o fim da lei das florestas em doses homeopáticas. O Brasil hoje dorme sem ainda saber qual será o novo Código Florestal”, afirma Astrini.

No fim das contas, a floresta não ganhou nem um centímetro a mais de proteção. Em nenhum momento o governo olhou para o que acontecia sob seus olhos, nem para os 13.500 km2 de área desmatada nos dois anos e meio de revisão do Código Florestal.

12 de maio de 2012

Acessar a internet e ajudar o planeta é possível


Neste sábado (12), o Neo lançou oficialmente a versão negra do seu buscador. Como destaca a publicação oficial, a versão Blackle foi criada para nos fazer lembrar da necessidade de salvar energia, com os pequenos gestos do dia-a-dia nas nossas vidas. A versão reduz o consumo de energia, pois o monitor vai diminuir a potência de luz que envia à tela.

Intitulado "Para um Neo mais simples e positivo", o texto também destaca: "Se levarmos em consideração que o site receba cerca de 200 milhões de buscas por dia e que cada uma leve 10 segundos para ser exibida, em um ano, a economia poderia chegar a 750 megawatts-hora".

Este já é um grande passo. É uma pequena iniciativa, mas que pode ajudar o planeta. Já que outras empresas estão mais preocupadas com o lucro do que com o meio em que vivemos.

Você pode acessar o Neo Blackle no endereço: www.neobusca.com.br/blackle. Defina o Neo Blackle como sua página inicial e ajude de uma forma simples a salvar o planeta!

O lançamento oficial ocorreu no início da noite. No momento somente a versão em português está disponível.

Você pode ver a publicação no blog do Neo no endereço: blog.neobusca.com.br/2012/05/para-um-neo-mais-simples-e-positivo.html.



O Neo e o compromisso com o meio ambiente:
Desde o início de 2012, o Neo firmou parceria com o Preservação Ambiental, oferecendo todos os serviços gratuitamente, de forma livre e ilimitada. Esta parceria já gerou um aumento de 104% no número de acessos ao nosso portal, novos seguidores no twitter e membros na comunidade do orkut.

25 de abril de 2012

O início do fim das florestas

Hoje a Câmara dos Deputados mostrou o que quer: o fim das florestas no Brasil. Por 274 votos a 184, com duas abstenções, foi aprovada hoje a proposta que desfigura o Código Florestal.


Hoje a Câmara dos Deputados mostrou o que quer: o fim das florestas no Brasil. Por 274 votos a 184, com duas abstenções, foi aprovada hoje a proposta que desfigura o Código Florestal, escrita pelo deputado ruralista Paulo Piau (PMDB-MG) sobre o texto aprovado pelo Senado, segue agora para sanção da presidente, Dilma Rousseff. Se ela não se mexer, e vetar o texto, esse futuro será seu legado.
O texto aprovado dá anistia total e irrestrita a quem desmatou demais – mesmo aqueles que deveriam e têm capacidade de recuperar matas ao longo de rios, por exemplo – e ainda dá brecha para que mais desmatamentos ocorram no país. Ele é resultado de um processo que alijou a sociedade, e vai contra o que o próprio governo desejava. Com isso, avanços ambientais conquistados ao longo de décadas foram por água abaixo.

Há mais de uma década os ruralistas tentam acabar com o Código Florestal. Finalmente conseguiram uma brecha, alimentada pela indiferença de um governo que não dá a mínima para o ambiente e a saúde da população. O resultado é um texto escrito por e para ruralistas, que transforma a lei ambiental em uma lei de ocupação da terra.

12 de abril de 2012

Novo gás para motosserra ruralista

Enquanto o governo adia mais uma vez o decreto de crimes ambientais e negocia o desmonte do Código Florestal em Brasília, a floresta vai encolhendo.

Pela quarta vez em menos de quatro anos o Governo Federal adiou a entrada em vigor do decreto de crimes ambientais. A nova prorrogação tem validade de dois meses e, assim como em dezembro do ano passado, o motivo é o Código Florestal.

Feito em julho de 2008, o decreto é um instrumento para por em prática a legislação ambiental do país e punir aqueles que se negam a cumpri-la. “Porém, se depender das negociações entre governo e ruralistas para o desmonte do Código Florestal, o decreto, quando em vigor, pode não ter mais a quem punir”.

No Congresso, Deputados alardeiam que já há um acordo para votar o novo Código nos dias 24 e 25 deste mês. Do outro lado, o Governo declara que a proposta final do texto a ser votado – cujo relator é o Deputado ruralista Paulo Piau (PMDB-MG) – ainda não está pronta.

Desmatamento flagrante

Enquanto tudo isso acontece nos corredores de Brasília, na Floresta Amazônica o que se ouve é o som incessante das motosserras. Segundo dados do INPE, o desmatamento quase triplicou de janeiro a março de 2012. A cobertura florestal perdeu 389 km², número 188% maior se comparado ao mesmo período de 2011. Deste total, a maior parte foi detectada no estado do Mato Grosso, um dos maiores desmatadores do país.

A própria Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reconheceu, em coletiva realizada nesta semana, que o perdão a crimes ambientais e as mudanças propostas no Código foram motivos que levaram ao aumento da devastação. Ela afirmou que existe quem diga que “você pode desmatar que vai ser anistiado”.

2 de fevereiro de 2012

Movimentos sociais cobram ação de Dilma contra novo Código Florestal

Para participar do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff chegou com uma pauta que ia da pobreza à crise financeira. Mas, da manhã ao fim do dia, acabou ouvindo mesmo sobre Código Florestal.

O dia começou com uma mesa redonda sobre o assunto, organizada pelo Comitê Brasil em Defesa das Florestas. E terminou no evento “Diálogos entre sociedade civil e governos”, com a presença de ONGs e movimentos sociais. Seis entre as seis pessoas que pegaram o microfone criticaram a proposta de mudança do Código Florestal. De feministas ao MST (Movimento dos Sem-Terra).

Sentada ao lado do Ministro da Agricultura, Dilma teve que dar a réplica. Mas não foi objetiva. Quando o líder do MST, João Pedro Stédile, cobrou da presidente o cumprimento de sua promessa de vetar a anistia aos desmatadores e brechas para mais desmatamento, mais uma vez ela preferiu sair pela tangente: disse que o novo texto não será o Código dos ruralistas. “Mas também não vai ser o Código dos sonhos dos ambientalistas”.

Durante toda a tramitação do projeto de lei na Câmara e no Senado, o governo foi omisso.O texto atual não desagrada somente a ambientalistas, mas a ciência, os pequenos produtores, a sociedade civil e os povos da floresta. Com anistia a quem desmatou, enfraquecimento de ferramentas de controle do desmatamento e a redução das áreas protegidas, o projeto atende tão somente aos interesses de um setor que insiste em um modelo de produção antigo e predatório.

O Congresso está prestes a voltar ao trabalho e o trator ruralista já está esquentando os tambores. Portanto, é hora mesmo de voltar a colocar o Código Florestal na cabeça de Dilma.

 
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